A Planisa estima que menos de 10% dos hospitais brasileiros sabem quanto custa uma diária, uma informação básica em gestão de custos; estima ainda que menos de 1% conhecem quanto custa o que produzem na linha do atendimento do paciente, isto é, um parto cesáreo, por exemplo. Apesar deste abismo, muitos pretendem discutir modelo de remuneração, a pergunta que se faz é como?

O Brasil precisa investir primeiro na medição de indicadores econômicos, qualidade e desfecho para que seja possível estabelecer novos mecanismos de pagamento. Afinal, como pensar em modelo de remuneração sem informação e dados confiáveis?

Na linha da remuneração por desempenho, a alocação de recursos ajustada por desempenho, requer a compreensão predominantemente de resultados sobre a saúde da população, ou seja, a efetividade da atuação dos serviços de saúde.

Apesar de amplamente utilizada no mundo, como as iniciativas QOF (Quality and Outcome Framework) do Reino Unido, a RNCCJ (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados) em Portugal, a remuneração baseada em desempenho também tem os seus desafios.

Na Experiência Inglesa, levantou a hipótese de que depois um período de melhora nos indicadores, seja mais difícil manter o ritmo de crescimento destes resultados e/ou que o sistema de pagamento por desempenho não estimule a continuidade de melhorias uma vez alcançadas as metas mínimas estabelecidas pela autoridade sanitária (Peiró, 2009).

E Christianson et al. (2007) revisaram 36 artigos publicados sobre os impactos desses incentivos financeiros sobre a qualidade dos serviços prestados. “Encontraram escassas avaliações de um impacto significativo e destacam a dificuldade de avaliar programas com desenhos muito distintos”, afirma o Diretor Técnico da Planisa, Marcelo Carnielo.