Atendimento ágil, diagnóstico preciso, redução de custos e, consequentemente, otimização da gestão de Saúde. O caminho que levará a esses resultados e de que forma ele deve ser percorrido foi assunto pautado no V Fórum Planisa, realizado ontem (17), no Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo. Especialistas convidados pela Planisa (empresa líder em gestão de resultado para organizações de saúde), falaram a um público de 300 pessoas do segmento, sobre as principais ações que o setor precisa desenvolver, não só para caminhar em consonância com a tecnologia que se renova a cada dia, mas também para otimizar toda a extensão da área – da administração do equipamento de saúde, à relação médico-paciente.

“O trabalho da Planisa é voltado à parte administrativa e financeira dos estabelecimentos de saúde, mas o que gostamos é ver o resultado lá na frente, quando vemos maior eficácia nos tratamentos e o melhor atendimento ao paciente. Então, o objetivo deste Fórum é trazer a importância da implementação de tecnologia ao setor, abrangendo os variados campos da saúde, desde o levantamento de dados,  até o uso de inteligência artificial, a telemedicina que ajuda no diagnóstico e tratamento de pacientes, enfim, como o uso da tecnologia pode nos ajudar a vencer os desafios da Saúde”, falou a diretora executiva da Planisa, Renata Matos, ao abrir as atividades do evento.

O ciclo de palestras foi iniciado pelo diretor técnico da Planisa, Marcelo Tadeu Carnielo, que falou sobre a gestão de custos do século XXI.  O representante falou sobre a importância de se ter uma visão global de cada paciente, iniciada desde o seu nascimento, com a coleta de informações sobre o DNA. “A questão da análise do DNA pode trazer potencial para entrarmos com ações para diminuir efeitos de enfermidades e, provavelmente, ter a cura antes da doença”, falou. “Doenças consomem muitos recursos, leitos e a gestão de custo passa por análise individual de toda vida. A partir de informações concentradas de cada um dos pacientes, passamos a ter a possibilidade de analisar o que acontece com um e, a partir disso, o que acontece com todos”, completou Carnielo.

O especialista também pontuou o acesso ao atendimento, permitido pela tecnologia. “Uma consulta com o dermatologista, por exemplo, pode levar 90 dias para ser realizada. Usando a tecnologia, o paciente pode fazer uma foto da lesão no celular, encaminhar ao médico, que fará avaliação e, se necessário, levará a outro nível, um hospital de referência. Será muito mais rápido e eficiente do que esperar 90 dias para passar com o especialista.”

Telemedicina

O chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade da USP, Dr. Chao Lung Wen, explicou sobre o conceito de atendimento a distância mediado por plataformas tecnológicas, já bastante utilizada nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa.

O especialista ressaltou que esse modelo deve ser visto como acelerador da logística de saúde, sem deixar de lado a humanização, uma vez que muitas pessoas questionam o atendimento prestado de forma online. “Aumentar a eficiência é humanizar. Não dar acesso, deixar as pessoas sem atendimento, é desumanizar”, falou. “A Medicina, para poder crescer, tem que se modernizar e isso chamo de medicina conectada, quando a medicina convencional se associa ao uso tecnológico”, completou.

Apesar da eficiência da Telemedicina, o mediador do painel, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Planisa, Eduardo Agostini, lembrou que são poucos os cursos que tratam o conceito e a preocupação foi compartilhada pelo Dr. Chao. “Temos 336 escolas de medicina e só cinco ou seis têm o curso de Telemedicina, é incrivelmente baixo, deveríamos estar em 50%”, salientou o Dr. Chao.

Rede Nacional de Dados em Saúde

Outro palestrante convidado do V Fórum Planisa foi o diretor do DATASUS, Jacson Barros, que abordou sobre o programa do governo federal, que será implementado a partir do ano que vem – o RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde). “O objetivo é promover a criação de prontuário único, que permita a troca de informação entre diversos níveis de atenção, permitindo a transição do cuidado nos setores públicos e privados”, explicou.

O RNDS terá o piloto realizado em Alagoas e prevê custeio das Equipes de Saúde da Família que aderirem ao Prontuário Eletrônico do Cidadão com o envio adequado e consistente das informações. “Fevereiro do ano que vem estará implantado em Alagoas, porque o estado mostra realidade do Brasil. O modelo que fizer lá, certamente, vai servir em outros estados”, disse Barros.

Tecnologia e Economia

Em mais um painel, o secretário estadual de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, expôs sobre a economicidade no setor de saúde pública, por meio da tecnologia. “Big data, Analytics, internet das coisas para que a inteligência artificial atue, são ferramentas envolvidas e necessárias para a economicidade e sustentabilidade, que precisam ser foco de qualquer gestor, sobretudo o gestor público”, pontuou.  “A tecnologia é absolutamente necessária para se fazer saúde populacional”, acrescentou.

Exemplos

Especialistas do V Fórum Planisa trouxeram projetos tecnológicos que vêm facilitando a vida dos pacientes. O coordenador de Inovação Digital da Secretaria de Estado da Saúde de São, Paulo, Joel Formiga, explanou sobre o aplicativo “Hora Marcada”, para agendamento de consultas e exames em hospitais municipais e o recém-lançado “Remédio Rápido”, que permite aos pacientes agendar data e hora para retirar medicamentos nas farmácias de alto custo. O piloto está em andamento desde agosto na unidade instalada no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Maria Zélia, localizado no Belenzinho, zona Leste da capital paulista. Posteriormente, a iniciativa será expandida gradativamente para as demais 37 farmácias espalhadas por todas as regiões do estado.

O superintendente Gestão de Rede – São Paulo Bradesco Saúde S/A, Flavio de Carvalho Mendes, apresentou um dos programas da operadora, o “Meu Doutor”, que disponibiliza agendamento online de consultas, priorizando a qualidade no atendimento e o cuidado assistencial.

O Diretor de Operações no Grupo Santa Joana, Vinicius Tadeu de Oliveira contou sobre o trabalho de gerenciamento que faz nas áreas de Suprimentos, Governança de Dados e Tecnologia da Informação, da organização que é referência de maternidade na América Latina.

Já Luiz Felipe Costamilan, ex-CEO do Colégio Brasileiro de Executivos de Saúde, destacou o perfil das lideranças da Saúde 4.0. “Nesse avanço, há a necessidade de novas formas de relações sociais e lideranças, para que as organizações se transformem com o tempo e não entrem em colapso. As características do líder 4.0 são: o compromisso com fazer o bem; adotar método para basear decisões em dados, ter visão de longo prazo em investimentos tecnológicos e liderança em desenvolvimento das pessoas.”

“Espero que a velocidade tecnológica no setor nos alcance, e não seja algo em um futuro tão distante, para trazer essa grande possibilidade do acesso à Saúde”, concluiu o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Planisa, Eduardo Agostini.