O artigo “Visão de custos da UTI Adulta no Brasil”, de autoria do Diretor Técnico da Planisa, Marcelo Carnielo, foi destaque nesta sexta-feira (21/02), no Portal Estadão, no blog Fausto Macedo.

No texto, Carnielo fala sobre a necessidade de buscar maior eficiência nos custos e despesas hospitalares, principalmente em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), uma vez que são unidades de altíssimo custo.

Leia o artigo aqui ou abaixo.

 

Visão de custos da UTI Adulta no Brasil

*Marcelo Carnielo

As instituições de saúde não podem prescindir de instrumentos gerenciais destinados à melhoria dos padrões de produtividade dos recursos utilizados na prestação de serviços médico-hospitalares. Nesta dimensão de gerenciamento, encontram-se os instrumentos de gerenciamento de custos que, adequadamente aplicados, trarão a transparência do desempenho em toda a extensão das atividades operacionais do hospital.

A gestão de custos aplicada às especificações de uma instituição de saúde compreende diferentes formas de acumulação de custos, destinadas a suprir a série de necessidades dos usuários que exercem a gerência, a análise e a tomada de decisão.

No cenário nacional, as previsões para o setor da saúde não são animadoras. De um lado, a saúde suplementar dependente do nível de emprego. Do outro, o baixo crescimento econômico que não alavanca a receita do Estado e, consequentemente, congela os níveis de gastos no sistema público, atualmente em 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto). Além dos desafios do envelhecimento da população, do alto índice de violência e da retomada de doenças infectocontagiosas, como o sarampo.

Diante disso, a saída é buscar maior eficiência nos custos e despesas. Em um estudo realizado pela Planisa junto a 106 hospitais brasileiros – com diferentes naturezas jurídicas – em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva Adulta), que são locais de atendimento de pacientes graves ou de risco, que dispõem de assistência ininterrupta, verificou-se comportamento de custos bem distintos. É sempre bom lembrar que as Unidades de Terapia Intensiva possuem complexidade assistencial distintas e que, só por isso, justificam variações nos custos. Mas de qualquer forma, com a obrigatoriedade premente de geração de eficiência, a discussão sobre o tema é oportuna, principalmente em UTIs, haja vista que são unidades de altíssimo custo.

Os resultados demonstraram que 35 hospitais filantrópicos analisados obtiveram custos médios de diária de UTI de R$ 1.470,00; 57 hospitais administrados por Organizações Sociais de Saúde, participantes do estudo, tiveram custos de R$ 1.934,00 e 6 hospitais públicos de administração direta analisados registraram custos médios de R$ 3.443,00. Portanto, 134% e 78% maior em relação aos hospitais filantrópicos e geridos por organizações sociais de saúde respectivamente. O estudo contou ainda com 8 hospitais privados com fins lucrativos, com custos unitários médios de R$ 2.836,00.

Existem várias justificativas para estas variações. A principal delas reside na composição do custo com pessoal, que representam ao redor de 70% dos custos diretos destas Unidades, com destaque aos valores de salários e no quantitativo de profissionais lotados. Mas  não podemos esquecer que os hospitais filantrópicos possuem isenção de encargos sociais, que diminuem significativamente os custos da folha de pagamento, além de outras isenções.

De qualquer forma, entendo que esta variação não pode ser justificada somente com esse argumento. Parece-me, portanto, que os hospitais filantrópicos, muitos desses representados pelas Santas Casas, merecem um papel de destaque quando se fala em uso eficiente de recursos, diferentemente, muitas vezes, do que estamos acostumados a ouvir.

Outras questões que precisam ser consideradas na avaliação de custos são a permanência desnecessária do paciente internado, os erros assistenciais, a baixa capacitação profissional e ausência do acompanhamento do desfecho clínico.

Por isso, entendo que um dos desafios do setor saúde será evoluir daquilo que eu chamo de momento fotográfico do paciente, isto é, o exame, a diária, o atendimento, para uma visão de filme do paciente. Em outras palavras, ter em mãos toda vida assistencial do paciente: o tão esperado PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente), associado a uma rede estruturada e interconectada.

O gestor da saúde trabalha em um ambiente extremamente complexo e com muitas variáveis não controladas, mas é fundamental o entendimento da escassez dos recursos atuais e dos desafios que vêm pela frente e que não são pequenos. Portanto, o paciente da UTI, foco deste artigo, precisa receber a melhor medicina, no tempo certo e com recursos adequados, nem mais e nem menos. Aliás, não só os pacientes de UTIs, mas todos.

*Marcelo Carnielo é especialista em administração hospitalar e gestão de custos e finanças, e diretor técnico da Planisa (líder em soluções para organizações de saúde).